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Encerramento da UNE Volante na USP debateu crise nos combustíveis e eleições

Por: Cristiane Tada - 11/06/2018

A última etapa da UNE Volante, caravana que percorreu o Brasil para mostrar a importância da universidade pública e gratuita no desenvolvimento do país teve seu último debate nesta quinta-feira (07/6) na Universidade de São Paulo (USP).

Os estudantes do DCE da USP e CAVC da FEA lembraram da semana intensa de luta na maior universidade do país. Os estudantes estão em greve estudantil por permanência, pelo aumento de bolsas e vagas de moradia na universidade.

“Estamos no primeiro ano de implementação de cotas na USP, uma implementação tardia. O desafio agora é garantir a permanência desses estudantes”, destacou Bianca Borges, uma das coordenadoras do DCE.

A presidenta da UEE-SP, Nayara Souza, falou da importância da UNE Volante para o Brasil e se mostrou lisonjeada ao receber em sua cidade o fechamento de mais esse ciclo do movimento estudantil brasileiro.

”A UNE Volante é um instrumento muito poderoso, pois estamos vivendo em um cenário preocupante de ruptura da democracia e ameaça de privatização da educação. Por isso, a caravana leva uma mensagem de esperança, de que é preciso lutar e estimular os estudantes a pensarem um projeto de país soberano com novos rumos para a universidade”, falou.


O QUE ESTÁ ACONTECENDO NO BRASIL?

O debate aconteceu no auditório 5 da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) e tentou responder a pergunta: “O que está acontecendo no Brasil?”.

Cibele Viera, da Federação Única dos Petroleiros (FUP) falou de como a greve dos caminhoneiros colocou o tema do preço dos combustíveis e a questão do refino em pauta.“Antes da greve estávamos [os petroleiros] há mais de um ano denunciando o que está acontecendo. Já tínhamos tirado para nossa greve as reivindicações da redução dos preços, das importação, aumento de carga das refinarias e o fim do desmonte da empresa. Mesmo após a saída do Pedro Parente a gente precisa continuar pautando esse assunto da política de preços da Petrobrás”, afirmou.

Ela explicou que a Petrobrás foi mudando para ser uma empresa exportadora de petróleo cru, e é isso que está por trás dos preços, a estatal reduziu sua produção.

E destacou: “Em 2018 estamos com 33% de capacidade ociosa nas refinarias. A Petrobrás tem mantido o preço acima do mercado internacional, tem um relatório do Ministério de Minas e Energia mensal de derivados de petróleo, bem fácil de achar na internet que mostra isso e inclusive esse do preço internacional com e sem tributo. Eles querem desmontar a Petrobrás. Pouca gente sabe mas hoje tem 4 refinarias a venda nesse momento. Abaixaram a produção, subiram os preços, para permitir essa importação, agora já tendo empresa chinesa dizendo para o Temer eu quero também”.

Fernando Haddad, ex- ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo enalteceu os avanços no período Lula e principalmente na permanência estudantil.

“Saímos de 3 para 8 milhões de universitários, ou seja, massa crítica para o país. Eu não acho que Bolsonaro vai ganhar, porque acho que essa massa crítica vai atuar. Não imagino o Brasil sendo governado com um ‘pangaré’ desse. Vai chegar um momento que a informação vai se organizar”, afirmou.

Haddad também elencou as necessidades para o país voltar a crescer. “Não é fácil aprovar a reforma tributária, porque depende do Congresso. Precisamos usar as eleições para politizar e conscientizar as pessoas sobre essa necessidade”.

E foi enfático: “Orçamento público, o estado não pode ser só custeio. Muitas vezes ele é o carro chefe do investimento, sem dinheiro para investimento ele não puxa o país. Não foi desequilibrio no orçamento público que gerou crise, foi a incerteza gerada pela crise política”.

Para o ex-ministro se não retomarmos o investimento público não temos como recuperar o país. “Agora com PEC do teto como retomamos? Tem formas inteligentes de ser fiscalmente responsável. Levando em consideração a população. Haja visto do sistema de preço da Petrobrás. A bomba da gasolina virou um painel da bolsa de valores, foi isso que Pedro Parente fez. Nunca foi assim no Brasil e nem em lugar nenhum porque é um insumo básico do desenvolvimento. Não é só insensibilidade social, não tem um gabinete de inteligência neste governo. É um governo que é atrapalhado de um jeito em todas as áreas”.

Luiz Belluzo, economista e professor da Unicamp também falou sobre a crise dos combustíveis e o problema de atrelar o preço do petróleo ao mercado internacional. Ele defendeu que antes de mais nada é preciso defender os interesses do povo e que o futuro está aqui agora. “O Brasil tem que enfrentar a desconstrução do passado. Temos que discutir isso porque as transformações são muito rápidas estamos vivendo um período de hiperindustrialização para sair da crise precisamos de uma posição estratégica do estado brasileiro. A única coisa boa da PEC do teto é que ela n vai ser cumprida. É tão esdrúxula que não vai ser cumprida. A crise será resolvida pela luta social, não há chance nenhuma de esperar que a cotia caia da árvore. Devemos continuar lutando, nos organizando, temos que ouvir, conversar e manter a coesão”.

 

 

PROJETO DAS FORÇAS POPULARES

 

Ronaldo Pagotto, Advogado da Consulta Popular, ressaltou que esse golpe foi dourado de ares democraticos, assim como foi em 64. “Essa direita que deu um golpe somou uma crise mundial com a crise do país e adicionou a isso medidas desastrosas de desestruturação nacional. É um governo inconsequente e lança o povo na desesperança. O fenômeno dos caminhoneiros é resultado disso não tem discurso, não tem mensagem para a sociedade. A unidade das forças populares é uma questão estratégica na defesa da realização das eleições, no combate às reformas nefastas, a manutenção dessa unidade é um elemento central, persistir nisso é importante. As eleições desse ano serão a expressão das lutas de classes no Brasil”.

Maurício Costa, coordenador da Rede Emancipa de Educação popular, que trabalha com Cursinho Popular, destacou em sua fala que ainda não vivemos em uma verdadeira democracia. E elencou que o direito a voz é raro; que apesar da abolição a polícia ainda mata mais negros; e a nossa forma de estruturar a política é baseada no poder econômico e remonta a história colonial patrimonialista.

Para ele estamos no momento de construir o novo “um ciclo vai chegando ao fim e algumas figuras bizarras aparecem e nada garante que o futuro será nosso”. E continua: “Precisamos de um programa de reforma tributária profunda que não taxe o consumo e sim a propriedade e renda, rever essa privataria que aconteceu no pais todo nos últimos tempos, e da retomada da mobilização popular. Esse processo não vai acontecer nas próximas eleições. Temos que construir a longo prazo, sem ceder a chantagem de alianças com setores que sempre mandaram. Esse plano requer participação intensiva da juventude e das universidades”.

 



   
Tags: Movimento Estudantil, UNE VOLANTE
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