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Estudantes boicotam provão e denunciam pressão psicológica na Unicamp

Por: Renata Bars - com infos UEE-SP - 09/05/2018

Denúncias de assédio moral e a utilização do ”provão” de forma punitiva motivaram a paralisação e o boicote da prova por cerca de 350 estudantes da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) , da Unicamp, na última terça-feira (8). Uma carta contendo as reivindicações discentes foi entregue à diretoria do curso.

Guilherme Rodrigues, coordenador geral do DCE da institituição, explicou que o ”provão” é aplicado nos cursos de saúde de diversas universidades como bonificação da nota, ao contrário do que ocorre na FOP.

”Essa é uma prova de avaliação de aprendizado continuado que existe em inúmeras universidades como bonificação e não como parte da nota, o que não prejudica a progressão dos estudantes. Por aqui, ela é punitiva e tem o peso de 30%”, disse.

Segundo ele, o provão foi o estopim para o protesto, já que existem casos de arbitrariedades por parte do corpo docente anteriormente à sua aplicação.

”Os estudantes da FOP tem passado por casos de assédio moral. Tem estudantes que foram organizar atividades do Centro Acadêmico e foram perseguidos por professores, relatos de exames aplicados com questões impossíveis de serem respondidas, professores que reprovam 80% da sala. Há um histórico de abuso de poder muito grande”, relatou o coordenador do DCE.

A carta de reivindicações entregue ao diretor do curso solicita que o provão seja realizado como bonificação da nota e não como parte dela. O documento também solicita a revisão da metologia de correção de provas. 

Presente na paralisação, o diretor de universidades públicas da UEE-SP, Ergon Cugler, destacou que a mobilização realizada pelos estudantes da FOP entrará para a história de Piracicaba e do Movimento Estudantil Paulista.

”Aos marcos dos 100 anos da Reforma Universitária de Córdoba, os estudantes de uma das maiores Faculdades de Odontologia das Américas, fizeram como em 1918 e elaboraram um documento propondo a melhoria do Ensino Superior. No entanto, o mais importante são dois movimentos que mudam a postura dos envolvidos: o primeiro é em relação ao corpo docente e à diretoria, que passam a enxergar os estudantes com respeito e maturidade. O segundo é em relação aos próprios estudantes que, com certeza, passam a confiar mais neles mesmos e a realmente enxergar o movimento estudantil como caminho de transformação da sociedade”, falou.

O professor Guilherme Elias Pessanha Henriques, diretor da FOP, comprometeu-se a realizar uma reunião aberta com a participação de estudantes e professores dentro de 20 dias. Segundo nota enviada à imprensa, a diretoria analisará todos os pontos reivindicados na carta.



   
Tags: Movimento Estudantil
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