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UM POVO SEM CULTURA É UM POVO SEM IDENTIDADE

Por: da Redação - 08/06/2016

A palavra “Cultura” está bem presente no nosso dia-a-dia, mas poucas vezes nos atentamos no que isso realmente significa e como isso influencia diretamente no meio onde vivemos. A Cultura, por vezes, acaba sendo relacionada apenas com lazer e entretenimento e talvez seja por isso que há quem diga que isso não é algo prioritário, de menor importância. Mas a Cultura vai muito além disso, Cultura é dialeto, crença, costume, comportamento, música, arte e expressão. Cultura é povo.


A Cultura Brasileira sofre duros ataques desde a Colonização, mas resiste. E é tanto retrocesso que faz com que ainda em 2016, século XXI, tenham índios em suas respectivas tribos e aldeias sofrendo diariamente os mesmos ataques que seus ancestrais sofreram com a Colonização Portuguesa, parece que as coisas não mudaram muito de lá até aqui.


Nossa cultura também resistiu a um dos maiores atentados já visto até hoje na história do país, a Ditadura Militar. Com o duro golpe na população quem sai prejudicado novamente é o povo, é a cultura do nosso país. Nos anos 60, músicos, pintores, dançarinos, compositores e artistas foram proibidos de executar a sua arte, foram proibidos de ser quem são e lhes foi tirado o direito a livre manifestação, foi lhes tirado o direito de se manifestar e transmitir sua mensagem através da arte. E mesmo com tanto sofrimento, a cultura resiste. Chegamos em 2016 e a cultura mais do que nunca é símbolo de resistência pela democracia brasileira.


Logo em seu primeiro dia de mandato como Presidente Interino, Michel Temer e todos os aliados do golpe fizeram do Ministério da Cultura extinto. O primeiro momento foi de choque para os artistas e apreciadores da arte. A cultura e a educação brasileira só andam unidas nos papéis, pois o que é totalmente perceptível é que com o passar do tempo são coisas cada vez mais distantes e não deveriam ser. Educação é cultura e cultura é educação, o povo precisa ter consciência de quem somos, de onde viemos, o que fizemos e o que vamos fazer.


Nossa cultura deve ser exaltada e não extinguida, um povo sem cultura é um povo sem identidade, sem raiz. Resistência. Mais uma vez a resistência é a palavra de ordem. Ocupações se espalham em todo o país, manifestações políticas e intervenções artísticas se iniciam cada vez mais, o povo está nas ruas, os artistas estão nas ruas. A cultura está dando uma aula de democracia aos golpistas e mostrando para o mundo todo que não aceitaremos nenhum retrocesso.


O Brasil é negro, índio, mulher, LGBT, criança, jovem, estudante e trabalhador. O Brasil é miscigenação, é diversidade, é lindo de norte a sul. O Brasil é povo. Foi tanta luta desse povo que uma grande vitória foi alcançada. Michel Temer, a partir da derrota nas ruas, volta atrás e recria o Ministério da Cultura.


A luta pelo avanço cultural no país não passa apenar pela volta do Minc, mas pelo Minc que atenda de fato as demandas dos artistas brasileiros. Digo sem medo em nome de todos os artistas brasileiros que esse Ministério da Cultura, não nos representa! O que nos representa é o som do Brasil, a arte que se espalha pelas comunidades, o funk, o rap, o samba, o grafite, a poesia, a capoeira, o Olodum, a música Brasileira. O homem branco e de grande poder aquisitivo, não nos representa! O Brasil é muito mais que isso, é diversidade.


E como estudante de Produção Fonográfica na Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo me sinto totalmente confiante para dizer que nós, artistas, vamos resistir! Vamos para as ruas, ocupar todos os espaços públicos com arte, vamos dar nosso recado a esse Governo que não representa o povo brasileiro.


Queremos a reforma da lei Rouanet para que atenda a todo e qualquer tipo de arte e não somente atenda artistas que já estão na grande mídia, artistas milionários seguindo mais uma vez a lógica capitalista de concentrar mais e mais dinheiro nas mãos dos que já tem muito. Queremos uma Lei Rouanet que de fato, subdisie o povo, a classe artística brasileira.


Além das afrontas do Governo Federal, nos deparamos mais uma vez com o descaso do Governo Estadual com a educação e a cultura paulista. O Conservatório Dramático e Musical de Tatuí, o maior conservatório da América Latina sofre uma de suas maiores crises. Cortes em assistência estudantil, deixando os estudantes sem bolsas e sem moradia, gestão antidemocrática e nada de investimento.


Na FATEC, o curso de Produção Fonográfica, por exemplo, não tem toda a estrutura necessária para aprendizado e já são quase dez anos desde que o curso foi inaugurado. Não temos nenhum tipo de apoio a pesquisa aplicada a nossa área e nem projetos de iniciação científica. Assim como acontece em muitas outras FATECs espalhadas pelo Estado de São Paulo. O maior estúdio musical que está sendo construído dentro da FATEC Tatuí está parado a anos por cortes de verba do Governador.


Diariamente por conta de uma expansão irresponsável do Governador oportunista, Geraldo Alckmin, a FATEC vem sendo sucateada. Em anos de eleição, FATECs e ETECss são inauguradas sem a menor estrutura, sem o menor investimento em assistência estudantil, fazendo com que tenhamos um índice de 60% de evasão de alunos entre as FATECs de todo o Estado.


Os golpistas estão testando o povo a todo tempo, estão tentando implantar uma nova cultura em nosso país, uma cultura onde negros, mulheres e LGBT’s não tem vez. Uma nova cultura onde os ricos se incomodam por ver o filho da empregada estudando na mesma universidade que seu filho estuda. Uma cultura assustadora, truculenta e ditadora. Resistiremos. Olha só quem voltou, foi você, resistência.


O Brasil é a miscigenação, é arte, é cultura. Continuaremos na luta, nas ruas, ocupando e resistindo. Esse plano de (des)Governo não passará. Vamos lutar com todas as nossas forças para impedir esse enorme retrocesso que já se iniciou no nosso país, não vamos deixar nossa cultura de lado, não vamos esquecer nossas raízes, não vamos nos esquecer que o Brasil é a diversidade para que nunca deixemos passar nenhum tipo de opressão e vamos dar muito valor aos artistas regionais para que mesmo com todas as dificuldades, resistam!


Até nas piores tempestades manteremos a chama da Cultura acesa, em brasa quente, assim como é o povo brasileiro.

 

Lucas Martinez (estudante de Produção Fotográfica na FATEC de Tatuí e Vice Presidente Regional no DCE FATEC).



   
Tags: UEE SP, UEE Cultural, Movimento Estudantil, FATEC, Estudando em São Paulo, Defesa da Democracia, DCE FATEC
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