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ESTUDANTES NA 14ª MARCHA DA CONSCIÊNCIA NEGRA DE SÃO PAULO

Por: Marcos Paulo Silva - 17/11/2017

A União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), através da sua Diretoria de Combate ao Racismo, participa junto às entidades do Movimento Negro da Cidade de São Paulo da construção da 14° Marcha da Consciência Negra e convoca todos os estudantes a se somarem a essa luta no dia 20 de novembro, a partir das 13h, no Vão Livre do MASP.

A marcha, que acontece todos os anos desde 2003, é resultado do debate e construção coletiva das organizações do movimento negro e tem como objetivos reafirmar a identidade negra  e denunciar o projeto racista do estado brasileiro, que reserva ao povo negro a violência institucional, física e psicológica.

Todos os anos são mais de 23 mil jovens negros que morrem vítimas dessas violências sem gerar grandes comoções na mídia ou entre parlamentares, por exemplo. Isso porque o racismo, embora compreendido como um comportamento desviante ou até mesmo ignorante, é na verdade uma ideologia extremamente bem elaborada, presente na construção de todos os indivíduos e que determina inclusive a forma e o sentido da atuação do Estado e dos cidadãos.

Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) e do relatório da ONU sobre desigualdades raciais, no Brasil uma mulher negra chega a ter 7 vezes mais chances de morrer por negligência médica durante o parto do que uma mulher branca e os homens negros tem até  12 vezes mais chances de morrer de forma violenta do que homens brancos. A cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil e todas essas vitimas deixam famílias e comunidades destruidas sem nenhum apoio ou reparação psicossocial por parte do estado.

Nos últimos anos, a chegada de governos progressistas à Presidência da República deu ao movimento negro brasileiro um novo fôlego para materializar, como política pública, reivindicações históricas como a reserva de vagas nas Universidades e em concursos públicos e a lei 10639/03, que torna obrigatório o ensino da história e das culturas africanas e afro-brasileiras nas escolasdo ensino básico.

Essas e outras vitórias, embora fruto da luta do nosso povo, não são capazes por si só de superar o racismo e representam muito pouco diante da divida histórica que o Estado brasileiro tem com os homens negros e mulheres negras. Alem disso, vidas negras são as primeiras e mais ameaçadas pelo governo golpista que tomou o poder em 2016.

A destruição da política de aumento real do salário mínimo, o aumento do desemprego e a precarização das relações de trabalho, entre outras medidas em discussão no congresso, atingem com maior força os trabalhadores negros e negras que ainda recebem em média 40% menos que trabalhadores brancos. A reforma do ensino médio, sancionada recentemente pelo golpista Michel Temer, acaba com quase todas as possibilidades de aplicação da lei 10639/03, inviabilizando a construção de uma educação emancipadora para as relações étnico-raciais. Os cortes e congelamentos de investimentos em Educação, que ameaçam diretamente programas como o Prouni e o Fies, e as reiteradas propostas de cobrança de mensalidades nas Universidades Públicas, como forma de superar a crise de gestão e financiamento que estas enfrentam, tendem a tornar ainda mais difícil a vida dos estudantes, principalmente negros, que trabalham e estudam ou que dependem dos programas de bolsa e/ou Assistência Estudantil para se manter na Universidade.

Por essas e outras razões, na próxima segunda-feira (20/11), feriado na Cidade de São Paulo, sairemos às ruas para marchar por uma sociedade realmente justa para todas e todos. Nossa luta é contra o racismo, o machismo, o genocídio e o encarceramento em massa do povo negro.

14ª Marcha da Consciência Negra: “Contra o Racismo e o Genocídio! Por um Projeto Político de Vida para o Povo Negro”

Data: 20 de novembro de 2017

Local: Vão livre do MASP (Av. Paulista, 1578 - Bela Vista)

Horários:  13h - Concentração com intervenções culturais;

            15h - Ato Político de abertura;

            16h - Saída da Marcha em direção ao Teatro Municipal.

 

*Marcos Paulo Silva é estudante da EACH-USP e Diretor de Combate ao Racismo da UEE-SP



   
Tags: Dia da Consciência Negra
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