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Um novo DCE no Mackenzie

Por: Sara Puerta - 07/11/2017

Uma das mais maiores e mais tradicionais universidades privadas do Brasil tem um "novo" Diretório Central dos Estudantes. No dia 27 de outubro foi divulgado o resultado da eleição para a organização e a Chapa Reconstruir levou a eleição com 1546 votos, e assim a dirigirá pelos próximos dois anos. 

A nova gestão assume o DCE e rompe com um processo antidemocrático que acontecia há anos com processos eleitorais obscuros e entre os inúmeros desafios está a ampliação do diálogo com "mackenzistas", debater propostas e organizar centros e diretórios acadêmicos.

A UEE-SP ouviu a estudante de Direito e ex-presidenta do Centro Acadêmico João Mendes Júnior, Gabriella Cardoso, 22 anos, que presidirá o Diretório,  sobre as mudanças que estão por vir com essa nova direção.


O que acontecia no DCE Mackenzie e seus processos de eleição?

Durante algum tempo as eleições não tinham publicidade devida de acordo com o tamanho da nossa universidade. São vários cursos e é necessário alcançar o máximo de estudantes possíveis, explicar pras pessoas o que está acontecendo, o que é e para que serve o Diretório Central dos Estudantes; ainda que se trate de uma eleição de chapa única. O que acontece no Mackenzie, e acredito que se reproduz em muitas universidades, é que os estudantes muitas vezes não conhecem o DCE e por isso não se interessam em participar, e isso se perpetua quando nos deparamos com uma gestão passiva que não cumpre esse papel de apresentar aos alunos a entidade.

 

Quais foram os desafios do processo?

 Foram vários desafios ao longo do processo. Precisávamos estar atentos a abertura do edital e tivemos pouquíssimo tempo para cumprir as exigências do estatuto, mas sem dúvida, o maior desafio foram as passagens de sala. Eu me dividi com os outros membros e colaboradores e conseguimos visitar quase todos os cursos, foram alguns dias muito cansativos passando em várias salas, conversando com muitas pessoas. Também fizemos duas reuniões abertas com pessoas que ao longo do processo quiseram colaborar com a chapa. Toda campanha é cansativa, mas acredito que conseguimos movimentar a universidade de uma maneira muito positiva e isso se refletiu na quantidade de votos obtidos.

 

Conte um pouco da sua trajetória no movimento estudantil?

Eu nasci na cidade de São Paulo, mas morei quase toda minha vida no interior da Bahia numa cidade chamada Bom Jesus da Lapa. Comecei a estudar Letras na USP e tive meu primeiro contato com o movimento estudantil, apesar de já ser feminista e militar nessa causa, compus a chapa do DCE da USP em 2014, e ajudei a reorganizar o Coletivo Marias Baderna; mesmo ano que comecei a fazer Direito no Mackenzie. Participei do processo de Fundação da Frente Feminista Mackenzista e do Coletivo Leolinda Daltro. Fui presidente do CAJMJr (Centro Acadêmico João Mendes Júnior), do curso de Direito, em 2016, onde eu aprendi mais do que em qualquer outro lugar - pude crescer enquanto ser humano e ajudar a minha faculdade.
Acho que a minha maior contribuição no movimento estudantil é através da minha atuação em Cursinho Popular, acredito numa educação emancipadora e é isso que tento transmitir aos meus alunos sempre. Agora, no DCE do Mackenzie, espero que a gente consiga construir não só uma Universidade melhor, mas também mais inclusiva.

Quais os seus objetivos à frente da entidade?
Reconstruir é o nosso nome, então o principal objetivo é ressignificar para os alunos o que é o Diretório Central dos Estudantes, como sendo esse órgão de maior representatividade estudantil dentro da Universidade. Por isso é dever do Diretório dialogar e pressionar para que pautas importantes sejam discutidas e averiguadas. Também é competência do DCE organizar os demais centros acadêmicos e ser porta voz de todos os estudantes. Promovendo atividades culturais, eleições, assembleias, conselhos e outras formas de organização para ouvir os alunos e agir dentro da universidade. Nós pretendemos reafirmar essas funções, trazendo para perto do aluno uma entidade ativa, que esteja presente no dia a dia acadêmico, que garanta que seus direitos não sejam sucateados, que esteja sempre de porta abertas para um diálogo direto e que não meça esforços em defesa dos estudantes. 
Nos comprometemos tambem a garantir um processo de eleição transparente e com igualdade de oportunidades para todos aqueles que desejarem pleitear o DCE, priorizando sempre a democracia.

Mesmo o Mackenzie sendo uma universidade tradicional, sente que a instituição passa por um processo de sucateamento?
É um reflexo da crise nacional, por mais que alguns poucos setores da economia não estejam sendo diretamente afetados a nossa Universidade tem sofrido alguns cortes orçamentários. Nós vamos ter uma alteração da grade curricular para diminuir a quantidade de aulas; internamente estamos dialogando para que essas mudanças venham de maneira positiva, mas sabemos que muitos cursos serão afetados com a implementação de disciplinas online, por exemplo, e que não é o modelo que universidade que a gente defende. Para além disso, tem a questão do corte do repasse que as entidades estudantis recebem, o que pra gente significa muito e que foi anunciado para o próximo ano. São questões que ainda estão em diálogo, e que nós vamos lutar, enquanto DCE, para que não haja retrocesso para os estudantes.

Há um diálogo com a reitoria?
A nossa Reitoria sempre se mostrou disposta a dialogar, o debate sempre foi feito de maneira muito saudável e nós sempre procuramos resolver de um jeito que fosse melhor para ambas as partes, mas nós estamos defendendo uma parcela que nem sempre é ouvida e às vezes defendemos interesses que se contrastam e isso não deixa de ser conflituoso. Acredito que seja assim com todas entidades que cumprem esse papel de negociação, mas é para isso que estamos aqui. 


   
Tags: Diretório Central dos Estudantes, Movimento Estudantil, Mulheres do Movimento Estudantil
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